Morte na Mesopotâmia, de Agatha Christie
Por Robson Mistersilva

A História
Quando o Dr. Leidner contrata a enfermeira Amy Leatheran para participar de uma expedição arqueológica no Iraque, a moça jamais poderia prever que acabaria envolvendo em uma trama misteriosa, envolvendo um assassinato e uma busca incansável à procura da suloção do enigma. A missão da bela enfermeira, nesse lugar, não terá a ver com mexer com vasos antigos ou descobertas de séculos de existência, nem tão pouco seus dons médicos estão em jogo. Por isso, há um estranhamento quanto ao convite do Dr. Leidner para que esta possa ficar de olho em sua esposa, a bela Louise Leidner. De uns tempos para cá, ele vem se sentindo observada e tendo medos que tem levado as pessoas a questionar a sua sanidade. Quando o Dr. Leidner contrata seus serviços, na verdade os quer para que uma figura feminina possa fazer sua esposa se sentir mais protegida.
Dessa forma, somos apresentados aos diversos personagens que fazem parte dessa expedição, bem como da mansão do arqueólogo. Conhecemos melhor as aflições da senhora Leidner e seu passado cuja revelação irá mostrar que nem tudo pode ser encarado como histeria. Quando finalmente, o inevitável acontece – a morte da senhora Leidner – o viúvo, desolado, contrata os serviços do famoso detetive Hercule Poirot, que estava de passagem pela região. Começa um esquema para tentar descobrir o autor do assassinato. Será que fora alguém da expedição? Ou talvéz alguém do seu passado? Em quem será que podemos confiar? E quando o segredo está prestes a ser revelado, eis que mais uma morte acontece, desencadeando uma reviravolta nos rumos da investigação.

A Narrativa
A escolha na narrativa em primeira pessoa é importante para esconder detalhes da investigação e assim convidar o leitor a identificar o criminoso junto com o detetive. Como não temos acesso à mente de Poirot, jogamos apenas com as pistas que ele analisa ou que se apresenta para os envolvidos na questão.
Os primeiros capítulos que antecedem à morte que será investigada podem parecer arrastados para o leitor iniciante. Mas não para os amantes da escrita de Agatha Christie. Na verdade, são fundamentais para a inserção do leitor – sobretudo brasileiro, afinal a narrativa é repleta de nomes ingleses muitas vezes sonoramente parecidos – neste universo das escavações, conhecendo o comportamento dos habitantes daquele lugar, suas diversas relações com a falecida.
O resultado de tudo isso é uma narrativa bem envolvente, cujo resultado final é surpreendente e fantástico, seja na forma como fora articulado, seja na forma como Poirot usa da indução para resolvê-lo.
Para quem está procurando uma aventura de tirar o fôlego, um mistério para o prender do começo ao fim, Morte na Mesopotâmia é uma excelente forma de entrada no universo de Agatha Christie, nessa aventura que envolve um dos seus detetives mais famosos.

Publlicação: Editora Nova Fronteira
Páginas: 240
Gênero: Narrativa Policial

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